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Antigas tradições da Serra são destaque na 30ª Festa Nacional do Pinhão

Foto: Divulgação

Depois de 17 anos a Festa Nacional do Pinhão volta às origens, na Serra catarinense. Vai ser o ano em que a presença dos cavalos, dos homens trajados, da cultura nativista será mais forte. A 30ª edição da festa ocorre de 25 de maio a 3 de junho, em Lages com ampla programação. Serão 30 atrações nacionais e locais, além de muita gastronomia, no Parque Conta Dinheiro.

E a base da gastronomia da festa é justamente o pinhão. Mas muito antes do evento existir, o pinhão já tomava conta da paisagem. Nos campos da Serra os pinheiros são protagonistas. E a fartura significa muito para os moradores.

“Quando o povo aprendeu a comer pinhão, a gente aprendeu que é uma fonte de renda para a família né, a gente que não tem salário, dá pra sobreviver o ano inteiro”, conta o agricultor Jairo Oliveira.

No Sul do país é época de colher pinhão (Foto: Globo Rural)

E vai além da tradição, que o seu Jairo preserva há 29 anos. Em 1973 o pinhão deixou de ser apenas uma fonte de renda para se tornar símbolo de uma festa. Essa parte da história até fica um pouco esquecida. Mas foi no calçadão da Praça João Costa, onde a primeira aconteceu. O evento durou só dois dias, como conta a idealizadora da festa, Adelma Paim.

 “O ‘QG’ praticamente era uma casinha de costaneira, onde existia uma panela grande com pinhões cozidos que era oferecidos pela prefeitura as pessoas que por ali passavam. Aceitação do público em geral foi muito boa, foi prestigiado pela população porque foi uma festa assim, bem Lageano, uma festa do povo”.

A dona Adelma faz questão de guardar os recortes de jornais que preservam a memória do marido. Foi ele o responsável pelo começo de tudo, quando era assessor de turismo da prefeitura de Lages. Mas ideia não foi pra frente e naquela época foram só duas edições da Festa do Pinhão: “falta de incentivo porque o próximo prefeito não acreditou na ideia. E ela ficou 13 anos praticamente adormecida”, diz.

O início da festa no Parque Conta Dinheiro foi em 1987, mas ainda não era nacional. Foi em 1989 que a festa voltou grande e deixou de ser apenas da região para ser tornar do país.

O pinhão continua sendo a grande ‘estrela’, mas todos anos os shows de artistas locais e nacionais fazem 300 mil pessoas passar pelo evento. E esse ano a intenção é mostrar ao público um verdadeiro espetáculo.

Gineteada e Sapecada

“A festa só existe porque ela começou com a campeira, com atividades como a chula, com as danças típicas, com a própria vaquinha parada. Então agora a gente está tendo na 30ª edição a oportunidade de estar resgatando essas origens com a gineteada, vaca parada e as invernadas. É claro, resgatando a tradição do povo, dos bons ginetes, dos bons domadores, das pessoas campeiras”, conta o organizador da gineteada, Vitor Liz de Oliveira.

 Durante a festa do pinhão acontece também um dos principais festivais de música nativista do país. A Sapecada da Canção Nativa que neste ano chega a sua 26ª edição e atrai músicos de diversas partes do país e fora dele, que passam por uma seleção minuciosa.

“Todo ano a média de 500 a 700 composições são enviadas para o festival para concorrer ao festival. Esse ano foram em torno de 570 composições”, confirma o organizador do festival, Mário Arruda.

Dessas, 32 foram escolhidas para serem apresentadas no Palco Nativista. São composições inéditas interpretadas para o público em três dias.

“A sapecada retrata bem o pertencimento cultural da região, a identidade, o simbólico. Nós temos uma identidade”, reforça Mário.

Foi na sapecada que o intérprete Adriano Posai apresentou a música que fez para a filha. Imagina então a emoção de cantar com ela. Uma cultura tão forte que emociona até quem já está acostumado com ela.

“A sapecada marcou muito na minha vida, hoje as pessoas me conhecem como intérprete, como cantor por esse momento que eu vivi em 2008. Por isso hoje eu digo vida longa a sapecada, esse patrimônio de música cultural, valores, usos e costumes os quais nós vivemos”, finaliza Adriano.

Com informações do G1SC

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